2 de junho de 2011

Review: Coração envenenado - Minha Vida com os Ramones

A seguir compartilho com vocês uma review muito interessante, de Airton Rener, tirada do blog Lucas'sville, sobre o livro "Coração envenenado - Minha Vida com os Ramones" de autoria de Dee Dee Ramone.
Para quem não leu, é uma ótima pedida. Vale ressaltar que não trata-se de uma literatura, er, digamos, rica, mas é bem interessante contar com um ponto de vista das personagens dessa história.
No mais, segue a review!

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Literatura e Música: Coração Envenenado - Minha Vida com os Ramones

Por: Airton Rener

Lançado originalmente na Inglaterra em 1997, Poison Heart - Surviving The Ramones é uma autobiografia escrita por Dee Dee Ramone, o baixista mais notório da historia do punk rock. Com tradução para o português como "Coração Envenenado - Minha Vida com os Ramones" o livro chegou nas livrarias brasileiras somente em 2004, oito anos após o fim de uma das bandas mais influentes da história do rock; os Ramones, que deixaram para variadas gerações uma historia de brigas, drogas e mentiras, hostilizando a imagem midiática de uma banda perfeita, um marketing comum no mundo artístico até os dias de hoje.

Apesar do seu lançamento tardio, o livro se tornou uma herança deixada por Dee Dee para seus fãs que esperaram tanto tempo pela a publicação nacional. Seu livro desde então pode ser considerado de maneira indireta como a biografia da própria banda, como o subtítulo sugere, pois Dee Dee foi o fundador dos Ramones e querendo ou não, sua vida está ligada a ela.

Embora de maneira breve, Douglas Colvin que posteriormente cria seu pseudônimo como "Dee Dee", faz uma rebuscagem a sua velha infância que está inserida no contexto pós Segunda Guerra Mundial. Vindo de uma péssima educação, sua relação familiar não era muito agradável o que ensejou Douglas Colvin a ter experiência com drogas desde cedo, principalmente a heroína, muito comercializado na época. Com essa perspectiva de vida Dee Dee já se considerava um fracassado, seu instinto rebelde lhe causou várias brigas de escola e inúmeras discussões familiar. O vocabulário pejorativo já fazia parte dele desde cedo, caracterizando uma personalidade forte, rebelde, grotesca e violenta. Dee Dee Ramones sem perceber e sem fazer seu tão inesperado sucesso já tinha se tornado um estilo que logo após passou a se denominar como punk. Dee Dee não quis inventar um estilo como a maioria dos músicos fazem, ele já nasceu com o estilo punk dentro de si.

Na biografia Colvin revela seu ódio materno em contraposição a influência musical de sua mãe como ele descre ve; “Minha mãe me apresentou ao rock’n’roll. Ela era problemática – mas usava roupas legais e tinha um Ep do Bill Haley and Comets e aquele disco I’m Going to Kansas City” .

Beatles e Rollings Stones sem dúvidas influenciaram gerações e não podia deixar de acontecer o mesmo com Douglas Colvin, como ele afirma em sua biografia cuja origem do nome "Ramone" veio antes da fama, e que esse termo era o sobrenome do pseudônimo usado por Paul McCartney para se registrar nos famosos hotéis quando ainda fazia parte do The Beatles.

Ainda muito jovem Dee Dee é transferido pra uma casa em Nova York. É lá que conhece Johnny que futuramente iria ser um dos integrantes da banda. Nas tardes vazias em Forest Hill. Perambular pelas ruas e aprontar, eram uma boa maneira deles se divertirem, tornando assim, características típicas de seus comportamentos, é o que ele afirma no trecho:

"Quem entra numa banda como Ramones não vem de um passado estável, porque essa não é uma forma de arte muito civilizada. O punk rock é feito por garotos furiosos querendo ser criativos. Acho que é por isso que os caras dos Ramones eram conhecidos por jogar, de apartamentos, TVs nas pessoas que estavam nas ruas".

Dee Dee sem as drogas era apenas "Dee". Seus alucinógenos perturbaram sua vida desde cedo e as barreiras que impossibilitavam ele sair de seu vicio é claramente comparado a uma prisão em sua biografia. É com esse tema que ele escreve sua primeira música, ainda adolescente, como ele revela em seu livro;
“[...] Nenhuma dessas músicas jamais vai ter interesse, mas era um bom modo de fugir, pelo sonho, da prisão do dia-a-dia. uma das músicas que eu compus nessa época, talvez a primeira, se chamava "I can't do it ":

I can't do it - Eu não consigo
I can't do it - Eu não consigo
I can't do it - Eu não consigo

I can't change tomorrow - Eu não consigo mudar o amanhã
At the stairs to hell - Na escada para o inferno
I can't change tomorrow - Eu não consigo mudar o amanhã

I can't do it - Eu não consigo
I can't do it - Eu não consigo
I can't do it - Eu não consigo

I can't hold on to my hand - Eu não consigo segurar minha própria mão. [...]”

Antes mesmo de Ramones se formar, seu estilo musical já estava predestinado como podemos observar. Uma música curta, simples, repetitiva, porém instigante e cheia de significado. São essas características da primeira composição de Dee Dee que marcam o som monótono dos Ramones.

Em 1974 surge um misterioso grupo. Joey, Johnny, Dee Dee e Marky (formação mais conhecida e mais duradoura) formavam os Ramones. Tecnicamente, o grupo não chegava nem perto de Pink Floyd. Dee Dee mal sabia de acordes quando formou a banda, mas a sua energia, seu ritmo, suas letras era definitivamente diferente de qualquer outro grupo. Com divulgação boca a boca, Ramones foi criando fama aos poucos, mas sua fama ganhou maiores proporções no clube estadunidense CBGB, localizado em Manhattan em Nova York. Se Ramones era uma família, com certeza a CBGB seria sua casa.

A mídia demorou pra reconhecer a banda, suas musicas não eram ideais para serem vendidas, o som era pesado pra quem era acostumados a escutar progressive rock da década de 70 como Pink Floyd, John Lennon, Genesis, Yes, Rush, dentre outros. O auge dos Ramones no Brasil veio preste ao encerramento da banda no limiar da década de 90, o que gerou frustração e ao mesmo tempo uma paixão eterna pelo grupo mais revolucionário de todos os tempos.
Como diz André Barcinski em seu prefacio, fazendo uma analogia a música dos Ramones que tem duração media de 2,5 minutos; "Coração Envenenado não é um livro sobre música. não espere tratados filosóficos sobre a invenção do punk, ou reminiscências de algum teórico do movimento. este livro é como a música dos Ramones: curto, poderoso e vai direto ao ponto."

A seguir, o videoclipe legendado da música Poison Heart escrita por Dee Dee Ramones. Essa é uma de poucas músicas a fugir dos convencionais 2,5 minutos clássicos dos Ramones, além de seu ritmo menos underground, assim como a famosa Pet Sematary. Poison Heart é o nome que inspirou o titulo da biografia de Dee Dee, pois nos remete indiretamente sua historia de vida em relação às drogas, afinal, foi elas que os levaram a óbito em 2002.




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Pra quem ainda não leu, o RamonesOn trouxe com exclusividade o livro em PDF, seguem os links!

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Gabba Gabba Hey!

2 comentários:

Lucas'sVille - Blog disse...

Oi!
Ann, obrigado pela postagem e pela parceria!
Acabei de lembrar que no nosso blog (http://lucassville.blogspot.com/) há outra postagem exclusiva sobre uma revista da década de noventa que escreveu um artigo sobre os Ramones! Caso queira postá-la aqui no blog e efetivar novamente a nossa parceria. Seria um parzer!

Este é o link da postagem: http://lucassville.blogspot.com/2010/12/revista-general-especial-ramones_23.html

Ann disse...

Em nome do RamonesOn, agradeço o prestígio, avaliarei o conteúdo com calma, e se for o caso, postarei com os devidos créditos.
até.