23 de julho de 2010

Cj - Entrevista à Playboy



Uma conversa franca e divertida com CJ Ramone, baixista que substituiu Dee Dee nos Ramones de 1989 até o fim da banda, em 1996, que está de volta ao Brasil esse mês:

1

No repertório do show aqui no Brasil, há algum lado B ou algo especial dos Ramones além dos clássicos?
Há duas canções de amor dos Ramones que eles nunca tocaram ao vivo, não enquanto eu estive na banda pelo menos, que estão no roteiro desse show, What’s Your Game e I Wanna Be Your Boyfriend. Como fã, eu sempre quis ver os Ramones tocá-las ao vivo, e nos ensaios para esse show, começamos a tocá-las, a resposta do público foi ótimo e as deixamos no set list.

2

Quando os Ramones tocavam no Brasil, havia uma sensação no público que sempre alguma confusão iria acontecer, como aconteceu algumas vezes. Internamente, a banda também tinha essa sensação?
Sim, sempre falávamos disso, e não era só no Brasil, mas era uma coisa sul-americana. Eu não lembro exatamente se no Chile ou no Uruguai também era assim, mas com certeza na Argentina também era. Claro que era algo que nos deixava envaidecido, a maneira como os fãs amavam a banda, mas nos preocupávamos um pouco com a segurança deles, especialmente com os meninos que corriam atrás da van, se jogavam na frente dela e tentavam virá-la, eventualmente. Eu lembro que na primeira vez que vim ao Brasil com a banda, sai do hotel e fui comer alguma coisa, quando um dos nossos roadies veio assustado na minha direção: “Você está louco? O que você está fazendo?”. Eu falei que só queria algo para comer, quando ele me mostrou a multidão de fãs de camisa dos Ramones correndo na minha direção. Eu entendi e voltei pro hotel.

3

Você estava no palco naquele show no Canecão, no Rio, em 1992, quando soltaram uma bomba de gás lacrimogêneo na platéia. O que lembra daquela noite?
Lembro, para além da bomba em si, que naquela noite eu conheci uma moça negra, alta e linda. É minha melhor memória daquele show.

4

Eu estava na platéia e lembro que vocês demoraram umas duas músicas depois que a bomba estourou para deixar o palco. Você lembra disso?
Sim, só quando o gás chegou mais alto que começou a atrapalhar a voz de Joey e interrompemos o show. Como eu estive no exército, percebi rápido que aquilo era gás lacrimogêneo, mas os outros caras da banda acho que não perceberam.

5

Todas as memórias de quem esteve com os Ramones indicam que Joey e Johnny eram pessoas muito diferentes e que tinham problemas de relacionamento um com o outro. Como era conviver, no palco e fora dele, de forma tão intensa com forças tão diferentes juntas?
No palco fazia pouca diferença, era trabalho, a gente ia lá, fazia o melhor show possível e pronto. Esse desconforto até ajudava no palco, uma certa raiva pode ser benéfica na hora de tocar. Fora do palco, sempre foi óbvio para todo mundo que Joey e Johnny não gostavam um do outro, tinham suas diferenças, políticas, inclusive, e Joey era um cara muito quieto, e que ficava mais quieto ainda na van. Eu sempre digo que é como uma família. Quem vem de uma família grande, como eu, sabe que há sempre um sentimento de desconforto em algum momento, e sempre um membro que não se dá bem com m outro. Realisticamente, se eles se odiassem tanto quanto dizem, não teriam ficado 22 anos tocando na mesma banda. Acho que um sabia que não existia Ramones sem o outro, e Ramones era a coisa mais importante na vida dos dois.

6

Você foi convidado para uma audição no Metallica, quando eles estavam escolhendo um novo baixista, e não foi porque seu filho foi diagnosticado com autismo. Como se deu esse convite?
Johnny Ramone era bem amigo do Kirk Hammet, eles colecionavam pôsteres de filmes antigos e tinham outros interesses comuns, e me ligou dizendo que eles queriam que eu fosse participar de um teste para entrar na banda. Johnny insistiu, que eu poderia ganhar muito dinheiro, mas expliquei a ele que a vida que o meu filho precisaria levar dali em diante não me permitia estar tão ausente como o trabalho no Metallica exigiria. Dois meses depois, Johnny me ligou de novo, dizendo que eles nem queriam que eu fizesse um teste, só que eu fosse lá conversar, queriam me conhecer, e eu disse a ele que me sentia honrado com o convite, mas a resposta continuava sendo não. Me perguntam se eu me arrependi, e lembro como o meu filho estava na época, com quase 2 anos, e vejo como ele está hoje, com 12 anos, tenho certeza que tomei a atitude mais correta.

7

Chegou a passar pela sua cabeça como os fãs de Ramones encarariam um ex-membro da banda tocando no Metallica?
Sim, pensei que alguns iam me chamar de mercenário e tudo mais. Eu sempre amei o punk rock e sempre estive no ambiente do punk rock, mas também sempre amei o metal, toquei em bandas de metal quando era mais novo. E eu adoro as músicas do Metallica, especialmente as dos primeiros anos da banda, e adoraria tocar com eles. Há um momento como músico que você precisa pensar: eu vou sentir prazer em subir num palco e tocar essas canções três, quatro vezes por semana? No caso do Metallica, minha resposta era sim, eu adoraria tocar com eles. Mas não deu.
Fonte: Playboy


Gabba Gabba Abração a todos!

Um comentário:

Mello Ramone disse...

parabéns a quem fez essa entrevista com o CJ, ele diz algumas coisas que eu nunca tinha lido sobre os Ramones dos shows no Brasil...