10 de junho de 2010

Entrevista com Richie Ramone, por Alexandre Saldanha (Portal Rock Press)

http://www.portalrockpress.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=4095
(Link oficial da entrevista do Portal RockPress)

Richard Reinhardt viu um show dos Ramones no colegial e não gostou. Anos depois, era apenas um baterista em Nova York que frequentava o lendário CBGB’s quando ficou sabendo por um amigo em comum que os Ramones estavam procurando um substituto para Marky Ramone, expulso da banda em 1983. Nessa época, passou a assinar Richie Ramone. Sua entrada na banda trouxe vida nova aos ânimos de Joey, Johnny e Dee Dee. Em quatro anos, a banda lançou três álbuns e fez sua primeira turnê pela América do Sul, culminando com o primeiro show do quarteto no Brasil, em fevereiro de 1987. Alguns meses depois, Richie Ramone abandonaria a banda após discussões sobre dinheiro da venda de camisetas.

Vinte e três anos depois, ele volta para dois shows acompanhado por seu amigo de longa data Mickey Leigh, irmão mais novo de Joey Ramone, e pelos brasileiros Passamal (ex-Razorblades) e Fernando Hound (Fox Hound). O repertório, claro, são clássicos da maior banda punk de todos os tempos. Na próxima sexta (11) o quarteto se apresenta no Clash Club, em São Paulo. No sábado (12), é a vez do Rio de Janeiro, Rock ‘n’ Drinks.

No livro de Mickey Leigh [I Slept With Joey Ramone, ainda não lançado no Brasil], ele diz que você não tinha nenhum disco dos Ramones quando fez teste para substituir Marky. Atualmente você escuta os discos dos Ramones? Agora eu tenho todos os discos e os bootlegs [discos não oficiais]! Escuto de tudo, inclusive Ramones. Isso é muito importante se você quer ser um artista completo.

Quando entrou para os Ramones, você e Joey viraram grandes amigos logo de cara. Você chegou a falar com ele antes de sua morte [em abril de 2001, em decorrência de um câncer linfático]? Infelizmente, não. Quando fiquei sabendo que ele estava doente, ele já havia falecido. Não pude ir ao seu funeral em Nova York para prestar homenagem a ele e sua família.

Na sua época nos Ramones, você, Joey e Mickey Leigh eram grandes amigos. Vocês mantiveram contato depois que você deixou a banda? Paramos de conversar quando saí dos Ramones. As coisas estavam muito ruins e tensas. Falei com Dee Dee algumas vezes e ele ficou um tempo na minha casa. Voltei a conversar com Mickey por volta de 2000 ou 2003.

Em Too Tough To Die seu primeiro disco com os Ramones você já teve uma música [Humankind] composta por você. Havia alguma pressão na banda para que você compusesse músicas ou o contrário? Johnny não queria que eu fizesse músicas de maneira alguma. Isso tiraria dinheiro dos bolsos dele, então ele me limitou a uma música por disco. Joey e Dee Dee me incentivavam a compor porque gostavam do meu trabalho.

Desde que entrou para os Ramones, você começou a fazer segunda voz e chegou até a ser vocal principal em ‘Can’t Say Anything Nice‘. Como era a reação da banda a respeito do novato cantando? Você acha que, se tivesse continuado mais tempo na banda, teria cantado mais músicas assim como Dee Dee? Era estranho no início, mas Joey realmente queria que eu cantasse. Nunca tive intenção de cantar quando escrevia minhas canções. Acho que teria feito muito mais se tivesse ficado mais tempo.

Como sua técnica de bateria e maneira de compor e cantar influenciaram o som dos Ramones? Hardcore era o tipo de som que ouvia na época. Tocávamos tudo o mais rápido que podíamos e mecanicamente. Não sou o tipo de baterista que atrasa o andamento. Acelero as coisas até os dedos sangrarem.

Entre 1984 e 1987, você gravou três discos com os Ramones. Too Tough To Die soa mais pop, enquanto Animal Boy e e Halfway to Sanity são mais puxados para o hardcore. Você concorda? Comente esses discos. Sim, concordo. O primeiro disco [Too Tough..., de 1984] foi produzido por Tommy [Ramone, ao lado de Ed Stasium] e tinha um som bem cru. Era ótimo trabalhar com Tommy. O segundo disco [Animal Boy, de 1986] tem “Somebody put something in my drink” [composta por Richie], então é meu disco preferido dos Ramones. Dee Dee escreveu algumas canções como ‘Warthog‘ e ‘I lost my mind‘ que eram muito loucas e agressivas. “I’m not Jesus” é uma música que fiz para os fãs de hardcore.

Depois que saiu da banda, você ouvia os discos seguintes pensando “teria feito essa parte desse jeito”? Você não pode nunca fazer isso ou acaba ficando louco. Você cria para aquele momento e pronto.

Arturo Vega [diretor artístico dos Ramones e criador do logo com a águia] me disse que os Ramones eram gigantes na América do Sul, inclusive no Brasil, mas não atraíam grande público nos EUA. Como você se sentiu quando tocou aqui? Você voltou ao Brasil depois disso? Nunca mais voltei ao Brasil desde 1987. Os fãs brasileiros dos Ramones são os melhores do mundo. A comida é ótima e a energia é sem comparação!

Como foi presenciar a transformação de Dee Dee de um punk rocker para um rapper [no final dos anos 1980, Dee Dee lançou um disco de rap chamado Standing In The Spotlight sob a alcunha de Dee Dee King] ? Nós trabalhamos em vários de seus raps em meu apartamento em Nova York. Esse cara era tão talentoso que precisava liberar sua energia de outras formas, além do material que produzia para os Ramones. Dee Dee era um grande poeta e um amigo melhor ainda! Tenho saudade dele.

3 comentários:

João Ricardo disse...

Muito bom. Ótimo post. Vocês precisam entrevistar o Tommy novamente, e pergungar se eles nao planejam lançar um DVD It's alive 2.

Ann. disse...

Foda a entrevista!

Alexandre Saldanha disse...

Acabei de achar esse link. Valeu, pessoal! :)